A COVID-19 colocou o comércio eletrônico na vanguarda do varejo. Antes da pandemia, as compras online crescem a um ritmo constante de 4,5% ao ano em todo o mundo. Mas o cenário do varejo mudou profundamente este ano, principalmente devido às medidas de restrição de movimento destinadas a proteger a saúde pública e à crescente preferência do consumidor por evitar lojas físicas. Os negócios que conseguiram se adaptar às plataformas digitais prosperaram, em geral, enquanto os varejistas tradicionais com estratégias on-line pequenas diminuíram, com vários dos mais importantes entrando em processo de falência. 

 

 O crescimento do e-commerce também contribuiu para o aumento dos serviços financeiros digitais prestados a pequenas empresas e consumidores. Serviços como pagamentos digitais, crédito e seguros estão cada vez mais sendo oferecidos no ponto de venda por empresas não financeiras – uma tendência conhecida como financiamento integrado. Este aumento no financiamento integrado pode melhorar significativamente o acesso ao financiamento para pequenas e médias empresas, reduzindo custos e aumentando a eficiência na economia digital.  

 

Nos últimos anos, plataformas como Alibaba, Mercado Livre, Jumia e Amazon se aventuraram nas finanças seguindo um arco semelhante: adicionar facilitação de pagamentos a suas plataformas e, em seguida, expandir esses recursos além delas. Dados valiosos sobre pagamentos e transações permitiram que essas empresas construíssem modelos de pontuação de crédito sólidos e começassem a estender crédito e uma variedade de outros serviços financeiros a comerciantes e consumidores.

 

A tendência de incorporar finanças está se expandindo além do e-commerce, mostra um relatório publicado recentemente. As empresas digitais que operam em cadeias de valor agrícolas, plataformas de insumos elogística estão seguindo um padrão semelhante e introduziram serviços semelhantes e introduziram serviços financeiros ou expressaram interesse em testar novas ofertas financeiras.

 


Uma mudança repentina com consequências duradouras 

 

 A pandemia COVID-19 aumentou vários tipos de incerteza, mas uma tendência se tornou clara: ela acelerou enormemente a adoção digital.  Os compradores digitais exclusivos aumentaram na maioria dos países, com algumas exceções em que as políticas de bloqueio restringiram todos os tipos de atividades econômicas, incluindo o comércio eletrônico. Os dados mostram taxas de crescimento substanciais na maioria das regiões, dos Estados Unidos à África e Oriente Médio e no Brasil não foi diferente, remodelando o comportamento do consumidor e as operações empresariais.  

  

As vendas online não são mais uma opção, mas uma necessidade para as empresas tradicionais. Do lado do consumidor, a crise da COVID-19 causou uma mudança estrutural na demanda em direção ao comércio digital que provavelmente continuará nos próximos anos. Na América Latina, o Mercado Livre registrou um aumento anual de 100% na demanda por bens essenciais e produtos farmacêuticos nas primeiras semanas após o início da crise. Na África, a Jumia registrou um aumento de quatro vezes nas vendas de itens de mercearia. As vendas da Amazon no terceiro trimestre em 2020 aumentaram 37% em relação ao ano anterior. 

 

Diversas novas plataformas ganharam relevância em mercados emergentes da África, Ásia e América Latina, adotando novos modelos de negócios e ajudando o cenário geral a se tornar mais competitivo. E a crise pode abrir oportunidades para plataformas de “nicho” de segunda geração que operam em segmentos de mercado específicos que são tradicionalmente excluídos de grandes plataformas de comércio eletrônico.

Por exemplo, no Quênia, a plataforma de cadeia de valor agrícola Twiga Foods fez parceria com a Jumia Kenya, uma plataforma de comércio eletrônico, para vender cestas de frutas e vegetais variados diretamente aos consumidores. No Brasil, uma iniciativa chamada Compre Local permite que os clientes localizem e comprem itens de pequenas empresas em sua vizinhança usando uma solução de pagamento simplificada.Os itens buscados para compras são diversos, desde objeto de higiêne até mesmo objetos para uso doméstico diário como brinde de canecas para empresas distribuir para seus funcionários e colaboradores na pandemia faz se a necessidade da cada colaborador tenha a sua com nome individual para sua segurança. 

Os reguladores ainda não desenvolveram uma estrutura coerente e simplificada para a operação de soluções financeiras incorporadas. A mudança de requisitos vinculados a pagamentos e licenças de crédito, bem como requisitos de conheça seu cliente para vendedores e clientes, precisa ser tratada para que as plataformas se expandam. 

 

Também será fundamental monitorar a expansão do comércio eletrônico, uma vez que a rápida evolução do mercado pode desenhar novas linhas de inclusão e exclusão para a economia digital. Diversas plataformas de e-commerce registraram aumento de usuários iniciantes desde o início da crise do COVID-19, indicando uma expansão da base de clientes que realizam compras online. No entanto, as famílias de baixa renda ainda parecem estar fora de alcance devido à falta de alfabetização digital básica, altos custos de acesso aos serviços e baixos níveis de inclusão financeira. O tratamento dessas barreiras deve ser priorizado para tornar as economias digitais mais inclusivas para empresas menores e famílias de baixa renda.